Mariinha, apelido carinhoso para ilustrar a pequena loirinha, caçula e peralta de uma família de três ilustres varões e duas belas mocinhas.
Ainda pequena, incentivada pelo Pai, vovô Eládio, lia e relia os clássicos com a mesma desenvoltura com que brincava e fazia suas traquinagens de criança.
Nasceu e cresceu em Belém do Pará onde foi batizada com a magia da inteligência, da superação e da criatividade. Dons que se fazem presente até hoje neste intenso e bem vindo centenário.
Do norte trouxe o tempero do tucupi, o açaí e o tacacá. O feitiço da terra, a mais genuína das brasileiras, que se rendeu aos encantos do acarajé e do vatapá, misturados pelo amor a Deus, a devoção a Santo Antônio, ao outro e a si mesma: Sua fórmula de vida e longevidade.
Casou no Rio de Janeiro e adotou a Bahia para ter e criar os seus cinco rebentos: Três homens valentes e duas gentis meninas. Com sabedoria educou seus filhos para a vida e seguiu cúmplice e companheira de seu marido, Georges, o nosso tão querido repolho, até as suas últimas páginas, escritas a quatro mãos.
Sempre esteve adiante do seu tempo e, quando ainda nem se pensava em uma “dama” jogar tênis já brincava com as raquetes e, quando nem se pensava na possibilidade do “sexo frágil” em trabalhar, fez um concurso público e passou com louvor para fazer parte da equipe de Dr. Carlos Chagas, ilustre médico e sanitarista.
Sua lucidez e perspicácia não esmorecem. Ingredientes que lhe fizeram entender, interpretar e, sobretudo respeitar, com intensidade e bom humor, as grandes mudanças de hábitos nestes últimos cem anos de história e muitas estórias.
Em tudo e por tudo empresta, sem cobranças, a sua criatividade, inteligência e exemplo. Vira as páginas do seu livro com naturalidade e sem pieguices.
Amanhece para agradecer a Deus o novo dia. Nada lhe choca ou assusta. Sua elegância, nem se fala, traz o tempero mágico dos bem nascidos, inspirados pela mais pura essência do caráter firme, o respeito e a dignidade.
Sua luz não se apaga e seus lindos olhinhos, faceiros, límpidos e azuis sorriem como faróis a iluminar o seu caminho. Coerência é a sua marca. Sua fala se materializa nos seus gestos. Aqueles mesmos gestos que acolhiam os velhinhos da Casa da Providência, também recebiam, em sua casa, com naturalidade e elegância, os nobres e anônimos, autoridades e artistas. E, nas horas de folga, o joguinho de Bridge das terças-feiras e a leitura de Agatha Christie, confortavelmente instalada em sua bergère setentona.
E, para ser fiel ao seu ritual de saúde e bem estar, não lhe pode faltar, ainda hoje, sempre no almoço, um bom gole de vinho tinto e “seco”!
Mariinha: Mulher, Mãe e Amiga é muito pouco. Adjetivos incapazes de interpretar e traduzir aquela que é o maior e o melhor presente de nossas vidas.
Por tudo que ela é e sempre será, convido a todos para um brinde:
- Vida longa a nossa eterna Mariinha!
imagem: Internet

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