Os CÉUS da minha vida
Ainda criança, corria depois do almoço para a soneca da
tarde. Tinha um encontro marcado com as nuvens. Confesso, era muito
dorminhoca e sonhadora. Da janela seguia com o olhar, uma a uma, todas as figuras
que desfilavam pelo céu da minha janela. Um quadro e um sonho, inéditos, a cada
instante, até mergulhar no mais profundo e delicioso sono da minha infância no
Canela.
Anos mais tarde, um novo céu aparece em minha janela. As nuvens já não estavam lá, e os sonhos,
tampouco. Já não havia mais tempo para a sesta da tarde. Um mar gigante alcançava o horizonte e se
confundia com o céu. Da minha cama eu
navegava. Das nuvens fui para as ondas, ora suaves e preguiçosas, ora gigantes e
destemidas, que me levaram a mares distantes. Este foi o meu primeiro e longo
encontro com o céu da nossa casa em Ondina.
De lá, fui para Aruá, à beira do lago, entre a mata e o céu
de muitas estrelas. Foi ai que descobri o infinito. Do chalé, debruçada sobre o
lago, flutuava na rede tecida pelos índios da Amazônia, envolvida por mãos
misteriosas e acolhedoras que me faziam flutuar em noites de festa ou de oração.
O céu do meu chalé, à beira do lago, está comigo. Aquele que se faz agora presente
em todas as janelas que se abrem diante de mim.
imagem:internet
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