segunda-feira, 30 de abril de 2012


Os CÉUS da minha vida



Ainda criança, corria depois do almoço para a soneca da tarde. Tinha um encontro marcado com as nuvens. Confesso, era muito dorminhoca e sonhadora. Da janela seguia com o olhar, uma a uma, todas as figuras que desfilavam pelo céu da minha janela. Um quadro e um sonho, inéditos, a cada instante, até mergulhar no mais profundo e delicioso sono da minha infância no Canela.
Anos mais tarde, um novo céu aparece em minha janela.  As nuvens já não estavam lá, e os sonhos, tampouco. Já não havia mais tempo para a sesta da tarde.  Um mar gigante alcançava o horizonte e se confundia com o céu.  Da minha cama eu navegava. Das nuvens fui para as ondas, ora suaves e preguiçosas, ora gigantes e destemidas, que me levaram a mares distantes. Este foi o meu primeiro e longo encontro com o céu da nossa casa em Ondina.
De lá, fui para Aruá, à beira do lago, entre a mata e o céu de muitas estrelas. Foi ai que descobri o infinito. Do chalé, debruçada sobre o lago, flutuava na rede tecida pelos índios da Amazônia, envolvida por mãos misteriosas e acolhedoras que me faziam flutuar em noites de festa ou de oração. O céu do meu chalé, à beira do lago, está comigo. Aquele que se faz agora presente em todas as janelas que se abrem diante de mim.


imagem:internet

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